...minha escrita até pode ser autodidata,
mas está bem longe de ser autobiográfica...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

ArUandA

[Para ler ao som da música abaixo.]


Nas águas do mar caminho com meus pés descalços para que nas águas da Grande Mãe Yemanjá eu possa descarregar os meus cansaços, e assim abro meu coração aos meus amigos de luz, aqueles que nunca me abandonam, ainda que eu esteja perdida na noite, estão sempre a me guardar os passos de uma maneira tão absolutamente amorosa que me custa acreditar que mereço tanto.

Hoje estou assim, tocada por algo divino que me faz de veículo de um amor que transcende toda e qualquer explicação poética, chego a me emocionar por ter tamanha honra, logo eu tão cheia de erros e inconstâncias.

Quase posso sentir o cheiro de seu cachimbo a me perfumar os sentidos, o ouço envolver minhas tristezas com seu doce cântico e de uma maneira tão suave se aproxima para me envolver em teus braços sábios de Pai Velho.

As lágrimas me enchem os olhos com tanta gratidão que tudo que consigo fazer é tentar absorver ao máximo de cada segundo desse aconchego da alma.

O que mais me sensibiliza são esses teus olhos, um mar de amor tão profundo, tão cheio de Deus que é como se tudo fosse tão insignificante e ao mesmo tempo tão grandioso que me faz silenciar.

Sinto uma súbita sensação de que tudo está certo e que tudo vai ficar bem, coisa que só olhos como os teus poderiam provocar nos meus, e ao mesmo tempo me olha com tanta sabedoria, como se me conhecesse à tempos que vão muito além deste dia, e nestes teus olhos de paz me "alumia" e me faz querer chorar ainda mais.

Cada lágrima é recolhida pelos teus dedos enrugados, e de um jeito todo seu me pede para entregar-lhe minhas tristezas, foi o suficiente para que os soluços explodissem do meu peito como a querer saltar em teus braços obedecendo a tua ordem de amor.

Talvez poucos entendam o que relato aqui, e talvez nem cheguem a ler este post até o fim, mas hoje minha poesia se rende ao amor que sinto por cada episódio desta minha estrada espiritual.

Com meu peito cheio de amor e gratidão, digo a quem quiser ouvir que é em cada toque de atabaque do meu povo de Aruanda que mora o melhor em mim. Por onde quer que eu vá estarei sempre orgulhosa em carregar esse sangue de Pai Velho em minhas veias, pois sou filha dele, e agradeço cada conta de rosário que rezei ajoelhada diante deste trabalhador de Jesus.

Salve meu Povo de Aruanda!

Clamo ao Grande Mestre que em algum tempo eu possa ser digna de tamanho amor.


Maria Rita


Maria Bethania - Canto de Oxum by Maria Rita



Um comentário:

Vieira Calado disse...

Não conhecia o blog.

è variado e interessante.

Saudações poéticas