...minha escrita até pode ser autodidata,
mas está bem longe de ser autobiográfica...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

É taRdE!


Ela decidiu ir, trancou a porta para não ter mais que olhar pra traz, seria solta em seu caminhar e as incertezas seriam o seu rumo, mas não podia mais ficar, o peso do “certo” já era maior do que o medo do “duvidoso”.
Trazia na boca o gosto amargo de tudo que ali ficou guardado, e no coração carregava a certeza de que brincar de ser feliz, não é “ser” feliz, a mulher de hoje não queria príncipes nem princesas, e por mais que ele quisesse e ela tentasse, não era aquele conto de fadas que queriam viver.
Santa ignorância...
Era muito mais fácil o tempo em que ele a acompanhava e ela podia fingir, alimentando-se da certeza alheia de uma felicidade representada.
Fingir tornou-se pesado demais para sustentar os sonhos de antes, foi aí que ela precisou dizer a ele que não era sua princesa, e que nem sequer gostava de príncipes.
Não havia beijo capaz de acordá-la para mante-los ‘no felizes para sempre’.
Foi assim... brincando de Alice, que ela entrou por uma porta e cruzou com um coelho maluco que gritava: É tarde!
[ela sempre gostou de coelhos]
E seus gritos ecoavam em sua cabeça, até que ela entendeu o que ele dizia...era tarde para viver o “nós”.
Aquele “nós” que não existia [se é que um dia existiu].
E não importava mais nada, só a vontade de ser.
Ser tudo que ela não havia sido, ter tudo que ela não tinha tido.
E a culpa não era de ninguém.
Foi um conto de fadas com os personagens trocados.
Ele [quase príncipe] procurava uma princesa indefesa pra salvar, e ela que não era indefesa, se vestiu de princesa para ser salva [?].
Papéis trocados, sonhos invertidos, caminhos truncados.
Foram [?]
Não são mais... nunca serão o que um dia fingiram ser.


Maria Rita & Fê Bellusci


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

CResCeRam...















Uma é água a outra vento.
As duas tem cara do que não são.
Até os Santos conspiravam para que ali não fosse nada.
Mas nem eles conseguiram.
Dessas coisas inexplicáveis.
Tudo nelas é demais.
Criticas demais, rígidas demais, espertas demais, escutam demais, vêem demais... pensam demais.
Tinham tudo para não ser nada além de um olhar transversal arquitetado pelo acaso.
Mas são mais.
São a troca de olhares que desperta a inveja e o medo.
Aquilo que muitos querem, mas que não se pode comprar.
Das coisas que acontecem sem explicação [será?] e simplesmente são.
Dos [re] encontros onde até mesmo os tropeços parecem alinhar-se para que aprendam [juntas] as lições que tanto julgaram.
Cresceram.
E de meninas viraram mulheres.
Amam o que nem sempre se explica.
Entendem que a arte de viver vai alem do querer... e ter nem sempre é possível.
Sonhar é preciso, mas é na terra que os pés devem ficar.
Juntas transbordam os limites.
Aprenderam que só assim é possível não submergir em si.
Uma é água a outra o vento.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

mEniNoHOMEM...


Saber muito de você é algo agradavelmente fácil, basta apenas olhar para os teus olhos e ver que na transparência do teu querer, desenham-se em luzes azuis, todo o amor e sinceridade que um humano poderia conter.
Porém não se enganem aqueles que de teus mansos olhos se espelharem, deste mar sutil e sincero faz-se surgir clarões e tempestades, que juntos são capazes de afugentar tudo que possa ameaçar a paz que defende com teus dons de ‘menino-homem’.
Quando por vezes brinca de ser ‘menino’, é para que o erê contido em sua singular espontaneidade possa brincar com a vida, fazendo sorrir até mesmo a própria infelicidade.
Mas quando o ‘homem’ vem à tona trás consigo a força dos trovões, vibrando sem passar despercebido até pelo mortal mais distraído. Faz de sua voz um raio que corta o vento, e entre os toques de seu tambor faz explodir também o seu amor, capaz de invadir o mundo do impossível, afastando toda a dor com o poder reconhecido pela força de seu clamor.
Na solidão que trás no peito, invisível aos olhos nus, chora baixinho para não ser ouvido, e de uma forma peculiar estende suas mãos a outro peito cheio de dor, aliviando assim o seu próprio desamor.
Pediu-me inspiração para desenhá-lo em palavras, logo eu, uma poetiza que se perde no mundo das letras, e de tão profana busco ser divina pra equivaler-me a tua alma cristalina.
Derramo aqui minha admiração, minha alma, meu amor e minha limitada capacidade de afagar a extensão de tua imensidão, ainda que meus ‘mimimi’s’ sejam intelectualizados, ainda que o meu querer seja impublicável, ainda que o Sol e a Lua não pudessem se encontrar, somos a prova viva de que existem mais mistérios nos céus do que possam suspeitar.


Maria Rita

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

gARanTia?


Abriu um Blog qualquer que falava de amor e decidiu ler:

“Chamem um médico, enfermeira, psicólogo, costureira, britadeira ou qualquer coisa hábil e eficiente capaz de tirar do meu corpo e da minha mente esta vontade da tua intimidade. São tantos os sintomas da minha doença que a prescrição medicamentosa teria que vir acompanhada por centenas de lenços de papel, pois ainda que tenha remédio pra isso, nada evitaria a tragédia que seria simplesmente estar curado. Arrancar você de mim seria abrir mão da minha melhor composição, pior que isso, seria como atear fogo na minha inspiração e condena-la ao nunca mais.”

Ali estava ele, sentado na cadeira de sempre, lendo palavras de um poeta falido e pensando em sua vida politicamente perfeita. Tinha um bom emprego, amigos pra contar, namorada pra disfarçar e muitos compromissos para não deixa-lo lembrar-se de que é infeliz.
Era do tipo “Cara Valente” já apresentado na canção da “Maria Rita”, e com toda a sua eloqüência se viu espelhado nos versos exagerados daquele poeta sofredor.
Pensou nos dias em que foi feliz, tomou um gole de café frio pra ver se conseguia engolir junto o nó que se formou em sua garganta, ligou o rádio pra disfarçar uma lágrima teimosa, e por ironia [ou não] estava tocando aquela bendita canção...
...“Foi escolher o mal me quer, entre o amor de uma mulher e as certezas do caminho. Ele não pôde se entregar, e agora vai ter que pagar com o coração”.*
Em uma rapidez inconsciente desligou aquele som, desejou poder fazer o mesmo com sua mente, mas por mais que tentasse não conseguia! Será que estava fadado a pensar “nela” todo o santo dia?
Ainda tinha que suportar essa lei de sincronicidade estúpida que só podia ser coisa do Diabo, não acreditava que o povo lá de cima inventaria uma lei tão filha da puta só pra sacaneá-lo.
Na verdade ele só queria encontrar culpados infames que justificassem sua covardia emocional, estava cansado, queria a certeza que tudo daria certo no final, queria vê-la passar de longe pra aliviar a agonia...queria ao menos uma garantia...queria poder ser somente um amigo...mas não podia!


Maria Rita


* Citação da canção “Cara Valente” – Maria Rita


quinta-feira, 29 de julho de 2010

auToBiográFico


Recentemente aceitei certos fatos sem resistências, deitei na cama da minha tal fama de ruim para assumir que sou a mais irresistível antagonista desta dança esquisita chamada VIDA.

Minha antagonia me exime do risco de agradar ao próximo só pra desagradar a mim mesma, mas em contra partida me rende boas risadas com gente de corpo e de alma.

Esse lance de ‘aparência’ me causa disritmia, taquicardia e uma dificuldade interna imensa de entender pessoas que vivem personagens estranhos, chegam querendo ir embora e sorriem dando tapinhas nas costas pra fingir algo indefinido.

Óbvio que uso de psicologia ‘social’ para o bem de todos e a paz geral, mas não me peçam pra ser ‘simpática’ por muito tempo, tenho limites para a ‘política de boa vizinhança’, minha simpatia precisa de sinceridade pra durar de verdade.

Descobri a paz quando aprendi a respeitar os meus [teus] limites, e entendi que fingir pode causar sintomas desagradáveis, tais como... aperto no peito, relacionamentos vazios, amigos indesejáveis, inúmeras futilidades e uma agenda repleta de compromissos chatos e infindáveis.

Assumo a minha chatice e nem me importo com ela, mas também assumo a minha transparência, talvez seja por isso que seja tão fácil perceber o melhor e o pior em mim, basta olhar para os meus olhos.

Adoro conversas inteligentes, pessoas que sabem rir, chorar, calar [e principalmente] adoro gente que fala o que pensa ainda que eu não vá gostar.

Prefiro uma briga inteligente a uma conversa agradavelmente insossa.

E não se confunda com meu rosto angelical, ele é só uma questão de genética, vamos combinar que anjos são bem legais, desde que fiquem no céu, eu sou de carne e osso.

Gente ‘boazinha’ e ‘perfeita’ pra mim é defeito.

Acho lindo ver a família reunida [pais, irmãos, filhos e filhas], mas pode ser que você não me encontre frequentemente em ocasiões assim, só não me pergunte o porque, seria muito complexo pra responder.

Fico puta com gente que joga lixo na rua, fanatismo de qualquer tipo, mentira e impunidade.

Sou sensível, carinhosa, criativa, mediúnica e cuido das pessoas que gosto, mas não faça isso virar uma ‘obrigação’, a minha eficiência precisa de individualidade pra ser eficiente.

Posso dizer 'foda-se' só com o olhar, mas se eu disser 'eu te amo', pode acreditar.

Quando amo, me entrego e sou intensa, mas por favor, não confunda amor com posse isso poderia me sufocar.

Adoro animais, crianças e pessoas idosas, não ouse feri-los na minha presença, se existe algo que tira minha fé na humanidade é ver a dor de seres indefesos por pura crueldade.

Quando criança eu achava que podia falar com anjos, hoje tenho certeza.

Saiba que minha lista de ‘merdas’ é tão extensa, que eu precisaria gastar um tempo que eu não tenho pra relatá-las, mas reconheço que não sei o que seria de mim sem elas.

Algumas coisas que não podem faltar: Café, Coca-Cola, Comida Japonesa, Delineador, Perfume, Rímel Incolor, duas 'Neosaldinas', eventuais Cigarros, Chapinha, Livros, Internet, Celular e os Arcanos do meu Baralho.

Sofro de falta de paciência com futilidades, não sou adepta à beleza sem conteúdo, sou prática e acho que não existem desculpas para a pessoa ser desleixada.

Quando eu disser ‘preciso de um doce’, quero dizer ‘estou carente’.
Quando eu disser ‘só estou quietinha’, quero dizer ‘estou triste’.
Quando eu estiver estressada não vou precisar falar nada.

Não me alimento só de comida, preciso de amor, amigos, músicas, orações e espiritualidade, se não fico desnutrida.

Já ouviu falar em TPM? Então é melhor se informar!

Detesto pessoas felizes nos primeiros momentos do dia, preciso despertar pra poder dialogar, se insistir não me responsabilizo pelas grosserias, juro que não é pessoal.

Pra mim fé e religião são coisas diferentes.

Devo ter cara de rica, quem me dera ter metade do dinheiro que as pessoas acham que eu tenho.

Não sou tímida, sou seletiva, quando me espalho ninguém me junta, mas quando eu me junto ninguém me espalha, pode apostar.

Não toquem nos meus pés isso pode ser um risco pra sua vida, porém o resto do corpo adora uma boa massagem.

Nasci com essa mania para a escrita, me desmancho em letras para puxar o silêncio pra fora, me inspiro em mim e em quem quer que seja, e se quiser um conselho meu para poder afagar a sua alma...’escreva’.

Esta sou eu [até então], só não prometo que este relato autobiográfico seja fixo e irremediável, o ‘Sr. Tempo’ me fez aprender que as coisas sempre vão se aperfeiçoando a cada amanhecer.


Maria Rita

terça-feira, 27 de julho de 2010

puLsAr...


Impetuosos movimentos escapam sem permissão, violando a privacidade pra falar de saudade, intimidando minha invejável paz com o teu sorriso irritantemente lindo. Sinto saudade de quando o relógio podia marcar o dia e a hora de te encontrar. Hoje caminho por caminhos opostos aos teus, seguindo o ritmo da minha respiração como quem anda nas alturas com medo de olhar para o chão. Me visto na armadura de aço do meu pensar, para poder me despir da vontade que sinto de tocar...ouvir...abraçar... Ainda que não tenha o dom da escrita, me despedaço em letras para organizar pensamentos na simples intenção de espalhar sentimentos pelo ar [guarda-los poderia endurecer meu coração cansado], e assim... subitamente...volto a pulsar.


M.R.

domingo, 25 de julho de 2010

SoRRir


Deitada na cama ela rolava de um lado ao outro na sua bagunça mental, eram tantos pedaços de tantas coisas que poderia até perder-se em meio a eles, como de fato se perdeu. Encontrou lugares escuros que preferiu não entrar [já conhecia bem aquele lugar], porém encontrou também pedaços bons que um dia resolveu esquecer. Quando estava na escuridão lembrar-se deles fazia doer. Mas diferente do que estava acostumada, foi tirando cada peça perfumada dos armários do seu viver com suave satisfação. Havia perfume em seus campos do ontem, encontrou uma árvore com enormes jabuticabas, se viu correndo descalça em meio a terra molhada, ouviu os sussurros do amor entre quatro paredes, reviu os beijos que lhe saciaram a sede, sentiu o cheiro bom de doce vindo da panela, orou novamente ascendendo sua primeira vela e se viu ouvindo juras de amor eternas. Sorriu quando percebeu que o sono não iria mesmo dar as caras...Sorriu para os seus olhos ao olhar-se no espelho...Sorriu para o perfume dos campos do “hoje”...Sorriu por poder voltar a sorrir...

“E quando algo realmente foi engraçado ela finalmente voltou a sorrir.”


M.R.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

iNtuiçÃo


Escuto cada movimento, cada sopro do teu pensamento, não se engane com minha displicência, ela mente! Faço-me distraída para garantir a distância adequada. Curvo-me diante de certezas que não entendo de onde vem para reservar-me o direito de ficar calada. Apenas não me pergunte o que acho para que eu não corra o risco de corromper meus votos de silêncio. Evite o transtorno de me fazer dizer o que não está preparado para ouvir. Questiono cada relato [pode apostar], sou a primeira a duvidar. Mas não se surpreenda caso a minha inadequada displicência transcender o que os olhos podem ver. Acredite...existem coisas que eu preferiria não saber.


M.R.

terça-feira, 20 de julho de 2010

dIA do aMigo...


Façamos então um brinde poético, com a mais grata necessidade de colocar em palavras o que os segundos incontáveis de nossa amizade marcaram em cada sentir.
Que nosso melhor e o nosso pior continuem de mãos dadas, afinal o que seria de nós sem nós? Todas as nossas lágrimas, risos, medos, amores, todas as nossas dores e alegrias compartilhadas...e porque não dizer...todas as nossas preces cantadas.
Se somos a ponte para a divindade, somos também a nossa dualidade estampada de maneira tão sincera que nossos olhares se fazem entender, basta apenas olhar pra ver. Ouvimos vozes e juntos acreditamos que o melhor pode acontecer, ironicamente imperfeitos por natureza, mas divinos por excelência, sabemos todos os pequenos e grandes detalhes da nossa incoerência, somos os personagens reais da nossa verdade não publicada.
As estações mudaram, muitas músicas tocaram nos atabaques e violões de nossas composições, mas acredito que algumas coisas são imutáveis, simplesmente porque são eternas, são tatuagens invisíveis desenhadas por mãos divinas.
Nossa amizade é tão simples que nem a nossa complexidade consegue complicá-la, nossos espíritos são tão conhecidos que nos reconheceríamos com qualquer rosto, enfim...nossa amizade é tão especial que de tão grande se faz pequena pra poder caber nestas poucas palavras.
Tim tim...ofereço este brinde para aqueles que conhecem muito de mim, e neste tilintar de taças poéticas, ofereço também meu tempo, meus ouvidos, meus abraços, minhas lágrimas, preces, conselhos, risos nervosos, xícaras de café quente pra aquecer...e saibam meus amigos [entre tantos], vocês estão entre os poucos pelos quais eu entraria até mesmo no inferno pra defender.

Amo Vocês!


M.R.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

PegaDas...


Tenho estado ocupada para algumas pessoas, juro que não tenho mais tempo para perder-me em certos pensamentos, nesta suposta alma iluminada, que tantas vezes se viu na condição de penada, ocultei olhares e infortúnios, sentimentos guardados que poucos souberam notar.
Sinto sua falta, queria que o “tudo” fosse “nada”, já quis tanta coisa que acabei cansada de querer, já amei tanto que aprendi a grandeza de esquecer.
Por hoje minhas orações silenciaram, minhas forças arriaram e entre as mesmas paredes de sempre não sou mais a mesma, hoje me permito até mesmo ficar triste, buscando respostas aceitáveis para o inaceitável.
Talvez eu ainda esteja tentando entender onde estão todos, tentando entender porque não tenho pra onde correr, e diante de tantas tentativas frustradas aprendi a cuidar de mim, e hoje posso viver, com ou sem você [s].
Hoje sou livre, até mesmo para ficar triste, aprendi que quando a tristeza deseja me visitar, devo ouvi-la, só assim consigo fazer a voz da dor se calar.
Cala-te “Senhora Dor”, vá embora com o teu terror, e se na minha estrada há apenas um par de pegadas, saiba que elas não pertencem a mim, são D’aquele que me carrega nos braços, e Ele estará comigo até o fim [ainda que eu não esteja].
E o “não estar” é só uma questão de tempo...amanhã eu volto.

M.R.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

eSpiNHo...


Ferimento provocado, dilacerando a vaidade para que a alma desperte, e na dor providencial faz-se emergente um novo amanhecer. Gradualmente o latejar faz sucumbir o inigualável conforto, para que debaixo das quentes cobertas se evidenciem os medos que entorpecem os sentidos.
Faz-se a hora de receber a visita do porvir para encarar de frente essas insensatas incertezas, abandonando o infeliz abandono, e no espinho que desperta fazer secar as lágrimas com os risos de depois.
Com olhos arregalados sorver o antídoto que dignifica, sentindo no corpo o amor do espírito, que fez do grito mudo da apunhalada o desmoronar do esconderijo. Ainda que sangrando, trazer na boca o gosto da liberdade, absolutamente certa do que se quer, e na estante da posteridade guardar o espinho que a colocou em pé.

M.R.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

FragMentoS






















É estranho aceitar os minutos que fazem divisão entre o querer [ter] e o olhar [ver], visto que o querer independe do tempo e o olhar segue olhando em pensamento.

Sagrado pensamento, tu que me envolve a todo o momento, em uma mania constante de vibrar alucinante, nesta pura necessidade de pintar com cores vivas a face desta cinza cidade.

Cidade que me atormenta, em cada esquina uma promessa de te ver chegar de novo, no olhar vejo passar um ir e vir de deixar louco, e no peito rasgado e vivificado de inspiração, entre tantos faz-se ouvir a voz da solidão.

Solidão sorrateira, que se arrasta pelos vãos de estradas repletas da poeira acumulada, e nos amordaça mansamente, quando vemos sentimos no corpo e na mente as seqüelas da tua arruaça.

Arruaça de sentimentos, que nos faz perdidos entre os gemidos do tempo, mas te peço [por favor], não me impeça de partir, levo comigo o que não faz mais sentido...seque tuas lágrimas e deixe-me ir.

Ir de encontro à suposta felicidade, que se não pode ser absoluta, seja ao menos curta, iluminando cada vão, para que de pequenos fragmentos se faça um lindo refrão.

Refrão de momentos que possam eternizar enfim, a minha vontade de você...e a tua vontade de mim. E entre os fragmentos que separam essa vontade, sejamos então, felizes de verdade.


M.R.